O Instituto

histórico

Em Curitiba, no pouco tempo que lá permaneceu, Frei Leto tentou formar um coro de meninos; mas não chegou a realizá-lo. Sua transferência prematura o impediu.

Ao chegar a Petrópolis, contou aos frades o que tentara fazer em Curitiba. Frei Ático, na época Guardião do Convento e Diretor da Escola, convidou Frei Leto para ensaiar alguns meninos para a festa da 1º Comunhão. Com um grupo de aproximadamente 50 meninos, Frei Leto apresentou-se na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, pela primeira vez na festa de 1º Comunhão em 15 de agosto de 1942.

Tamanho o sucesso desta apresentação que Frei Leto foi convidado a repetir o programa nos domingos seguintes; nasceria assim a tradição da apresentação do coral nas missas dominicais.

Pouco tempo depois, Frei Leto foi designado diretor da escola e ocorreu então a grande transformação: sem abandonar os ideais de instruir e evangelizar, foi criada uma escola para orientar o canto coral. Frei Leto assumiu e acumulou as funções de Diretor da Escola Gratuita São José e Diretor Artístico da escola de canto, sem conflito entre ambas as partes.

Com a mudança da orientação e dos objetivos da escola, o setor artístico consegue ter a devida projeção: começa-se a ter um estudo metódico de música, a princípio ao término das aulas, por volta do meio-dia. Era penoso pois os meninos estavam cansados e com fome.

No ano de 1943, o coro consegue, juntamente com os frades do convento, participar de importante ato litúrgico no Congresso Eucarístico, realizado em Petrópolis por ocasião da comemoração do centenário da cidade. O sucesso foi grande. Nessa ocasião, o povo da cidade começou a chamar os meninos cantores com o apelido de “canarinhos”. Este apelido tornou-se tão conhecido que vigora até os dias de hoje como o nome artístico e oficial do coro.

Disposto a fazer o melhor para o seu coro e aprimorar a si próprio, Frei Leto obteve dos Superiores da Província uma licença para fazer um estágio na Europa, com os “Regensburger Domspatzen” (Pardais da Catedral de Regensburg). Este coro da Alemanha tem mais de mil anos de tradição.

Durante 9 meses, no ano de 1951, Frei Leto assimilou deste coro o que havia de melhor e nos trouxe o estilo de cantar dos meninos de Regensburg.

Convencido de que era necessário dedicar-se mais à tarefa de ensinar música como havia visto na Alemanha, Frei Leto vislumbrou uma possibilidade: o semi-internato seria o ideal.

Em 1952 fundou a Associação dos Amigos dos Meninos Cantores de Petrópolis, que por muitos anos foi a mantenedora deste sonho.

Com a Associação dos Amigos dos Meninos Cantores, a escola conseguia suprir alguma das suas necessidades financeiras, cobrindo os gastos dos meninos , não dependendo somente das verbas da editora.

Foram criados estatutos e a escola de canto tornou-se pessoa jurídica. Através da permissão dada pelo padre assistente da Ordem Terceira, Frei Leto começou a construir um sobrado para a escola. Em 1955 começou a funcionar efetivamente: os meninos iam à sede após o turno regular na escola para almoçar, brincar e depois aprender os fundamentos musicais: solfejo, técnica vocal, repertório coral.

Mal havia sido inaugurada, a diretoria da Ordem Terceira solicitou o prédio como propriedade do convento, permitindo que a escola e o grupo coral lá permanecessem por tempo determinado (15 anos) sob a vigência de um contrato de aluguel.

Durante os 15 anos que ali permaneceu, o coral cresceu vertiginosamente. Muitos eventos, congressos e apresentações em locais privilegiados (como o Theatro Municipal do Rio de Janeiro), gravações de discos e concertos de altíssimo nível, fizeram do coro, além de uma promessa, uma realidade.

Crescendo o coro, crescia a escola. No ano de 1957, nascia o Ginásio dos Meninos Cantores. Dez anos mais tarde, em 1967, junto com o Pe. José Maria Visnieski Filho SVD, fundador do Coro de Meninos Cantores “Mater Verbi” de Juiz de Fora, Frei Leto fundou a Federação Nacional de Meninos Cantores do Brasil, nos moldes do que existe nos países da Europa.

Neste mesmo ano, promoveu o I Congresso Nacional de Meninos Cantores. Inscreveram-se na federação 7 coros de diferentes estados: RJ, MG e SC.

Mas como não poderia ficar indefinidamente junto ao convento, Frei Leto decidiu obter uma sede própria e recursos para manter a escola e o coro sem depender dos subsídios da editora.

Após alguns percalços, doações e muito esforço, no dia 20 de novembro de 1970, foi assinada a escritura de compra e venda do terreno onde hoje se situa o complexo Bom Jesus - Canarinhos. Os 9.000 metros quadrados do terreno prometiam ser o ideal para o sonho do frei; mas muito cansado e disposto a dividir o peso de tamanha responsabilidade, Frei Leto solicitou à Província um sucessor.

Algumas tentativas depois, surgiu a oportunidade esperada com um jovem frei, professor do Seminário de Agudos em São Paulo: Frei José Luiz Prim.

Trocaram cartas e informações e após algum tempo e muitos contatos, Frei José Luiz Prim vem somar forças ao então renovado e esperançoso Frei Leto.

No ano de 1973, Frei José Luiz assume os cargos de Diretor do Ginásio e Diretor da Escola Gratuita São José.

Mas o ano de 1974 mudaria a história do grupo: o então Ministro da Educação e Cultura, Ney Braga, ouviu o Coral dos Canarinhos e encantado, prometeu ajudá-los junto aos projetos desejados:

• participar do XV Congresso de Meninos Cantores em Roma/Itália no fim daquele ano;

• construir a sede própria.

O coro consegue embarcar para a Europa em 4 de dezembro de 1974.

Nos dois meses de permanência na Europa, o grupo fez várias apresentações, inclusive em Herne, cidade alemã, onde nascera Frei Leto. Foi um grande momento para ele constatar não só o sucesso de seu trabalho mas o reconhecimento de seu povo nos aplausos de parentes e amigos lá presentes.

Após muita luta junto aos meios oficiais, no mês de julho de 1976, as máquinas de terraplanagem finalmente iniciaram a obra. As verbas que vinham de Brasília em datas determinadas foram importantes neste aspecto pois o cronograma da obra era “enxuto” e ao acabar o bloco A, em 1980, estava tudo pago.

Estava pronta a nova casa para as atividades musicais; havia muito espaço e com isso liberdade para crescer.

Devido às mudanças pelas novas Leis da Reforma do Ensino, a Escola Gratuita São José e o Ginásio dos Meninos Cantores foram incorporados pelo Instituto dos Meninos Cantores de Petrópolis, nome dado à escola de canto, como uma entidade jurídica e dois setores distintos: o de ensino de 1º grau e o setor de ensino musical.

Em 1988, depois de uma vida de muito trabalho e dedicação, morre Frei Leto Bienias.

Sozinho à frente desta obra, Frei José Luiz leva adiante a árdua tarefa de fazer crescer, como no projeto inicial, uma escola de qualidade aliada a um ensino musical de categoria.

Em 2 de julho de 1980 , o coro canta na missa que o Papa João Paulo II oficiou no Rio de Janeiro no estádio do Maracanã e em dezembro do mesmo ano, o coro viaja para a Venezuela para realizar o Concerto de Abertura do XIX Congresso Mundial de Meninos Cantores, realizado em Maracaibo. Em 1983 volta à Venezuela, sempre subsidiado pelo governo local, para participar dos festejos do Bicentenário de Simón Bolívar.

Mas como uma escola franciscana, o Instituto é vinculado a uma Província. Esta decidiu que para crescer ao ponto desejado, seria necessário fazer-se una com o grupo de escolas-irmãs.

Nascia assim o projeto de transformar o Instituto numa escola da Associação. Feitas as devidas modificações, a Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus, abriu as portas ao Instituto dos Meninos Cantores de Petrópolis, abraçando-o fraternalmente, oferecendo-lhe ajuda e tecnologia.

É com muito orgulho que hoje o Instituto dos Meninos Cantores de Petrópolis faz parte da família Bom Jesus, assumindo sua parcela de contribuição no grupo franciscano ao qual pertence, trazendo uma linda história de amor à música como um presente aos que nos recebem com tamanho carinho e apoio.

Essa história não termina com essa fusão, muito ao contrário, abre um novo capítulo para ser escrito a muitas mãos e corações.


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